domingo, 30 de maio de 2010

A MANIF...

... foi mesmo grande. mas terá sido tão grande quanto precisávamos?

sábado, 29 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

NÃO PODE SER!

O governo, pelos vistos com o apoio do PSD e CDS, pretende retirar o apoio “excepcional” que estruturara para atenuar a profunda crise do desemprego. Ou seja, criou medidas para apoiar os desempregados devido à crise para agora que a crise se aprofunda os retirar. Fazer recair sobre os desempregados – as primeiras vítimas da crise – sacrifícios para combater o défice é simplesmente imoral. Este capitalismo não tem mesmo vergonha nenhuma!
Igualmente triste é a notícia de que um hospital público do porto pretende diminuir os seus gastos devolvendo os doentes que recebe de outros hospitais à procedência o mais depressa possível. Não será de exigir que o bem-estar dos doentes seja o primeiro e radical critério para decidir da sua permanência ou da sua transferência? Pelos vistos, até os doentes vão pagar a crise. Sendo certo que há muitos de boa saúde que não só a pagam mas até dela tiram proveito. 

quinta-feira, 27 de maio de 2010

TAMBÉM NOS VÃO TRIBUTAR OS NEURÓNIOS?

Há uns dias, o primeiro ministro disse, numa entrevista à RTP, que perante o aumento de desempregados reais contabilizado pelo INE havia um dado positivo a registar: a diminuição dos pedidos de subsídio de desemprego. E ninguém pegou nisto. A menos que nos expliquem muito bem que possa haver outros factores em jogo, a conclusão é só uma: está a aumentar o número de desempregados que não têm direito a subsídio de desemprego. E se isto é um facto positivo para o governo, ao menos tenha a coragem política de o assumir.
Ontem, a ministra do trabalho teve o topete de afirmar que a diminuição das medidas extraordinárias de apoio aos desempregados não equivalia a uma redução desse apoio. Mais uma vez, assumam a opção política de sacrificar uma medida de reacção à crise precisamente quando essa crise se agudiza, e de fazer o sacrifício onde ela dói mais.  Alguém explique à senhora ministra que ainda sabemos que uma redução se mede a partir da realidade, não do ponto de partida que dá mais jeito. Apetece responder-lhe que, nesse caso, a melhor maneira de reduzir défices é… aumentá-los brutalmente.
Há uns filhos da puta que nos zurram por todos os lados que os lucros que geram a brincar com as nossas vidas são inquestionáveis; e há outros que já nem escondem que contam com a nossa estupidez para lhes fazer as vontadinhas todas. 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PRETO E BRANCO

por Rita Correia

Notícia do Público, de 22/05/2010:


Não vale a pena ler o resto da notícia, porque não relata a verdade dos factos, nem o que realmente se passou. Atenção: não o digo de forma a menosprezar o trabalho dos jornalistas do  Público, mas digo-o com conhecimento de causa. Este episódio passou-se há 2 anos na turma dos meus filhos mais velhos, e os mesmos foram envolvidos nesta palhaçada, tal como boa parte dos colegas de turma.Nunca me apeteceu muito falar sobre este assunto, até porque se encontrava em curso um processo judicial e respectivo Julgamento, mas agora, proferida a sentença e proferidos também toda uma série de disparates na blogosfera e afins acerca deste assunto, apetece-me contar o outro lado das coisas. Pelo menos, o lado que eu, enquanto mãe e educadora, fui forçada a viver e presenciar…

Factos:
O professor em questão tinha várias falhas na sua conduta como professor. Nenhum dos alunos “gostava” dele, o que já de si é sintomático.
Os alunos queixavam-se várias vezes de atitudes mais bruscas por parte do professor, assim como contestavam várias vezes as notas atribuídas. Várias vezes teriam dado conta ao director de turma que o professor brindava os alunos com expressões como “cão” ou “palhaço”.
O professor queixou-se várias vezes ao director de turma acerca do mau comportamento dos alunos, e das dificuldades que sentia para dar as aulas.
O aluno visado nesta situação também estava referenciado por mau comportamento nas aulas deste professor.
Os alunos desta escola chamavam várias vezes ao professor “careca” ou “cabeça de alfinete”, tanto nas suas costas como durante a aula, à frente dele.
Resta-me ainda esclarecer que este triste episódio se passou numa turma de 6º ano, portanto alunos com idades compreendidas entre os 11 e 13 anos.

A minha opinião:
Um professor não pode, nunca, em tempo algum, chamar CÃO, PALHAÇO, ESTÚPIDO, PARVO, ANORMAL, ou qualquer outro mimo do género a nenhum aluno. Não porque ele seja professor e deva “dar o exemplo”, mas sim porque deve haver respeito entre as pessoas. Sejam elas professores, políticos ou varredores de lixo.
Portanto, estamos perante uma pessoa (o professor) que provavelmente teria algumas dificuldades em fazer-se respeitar, dado que ele também não se daria ao respeito…
Assim, muito sinceramente, não me choca de sobremaneira que ele tenha chamado “preto” a um aluno. E se ele chamasse “branco” a um dos meus filhos?… seria ofensivo?
E se chamasse “cigano” a um aluno de etnia cigana?
Será que a expressão “preto” é ofensiva?
Chamar “preto” é mais ofensivo do que chamar “branco”?
Sei que o professor baseou a sua defesa no facto de não ser um indivíduo racista. Consta que até seria grande amigo de “pretos”…
Quantas vezes os amigos e colegas do aluno em causa, não lhe chamavam “preto”, sem que isso significasse que estariam a ser discriminatórios e racistas?
Choca-me sim a falta de respeito e de discernimento de parte a parte… A vitimização do “preto” e a arrogância do “branco”.
Para mim este episódio da Escola Mem Ramires nunca foi uma questão de racismo.
Vi-me forçada a ter se fazer parte deste circo (dado que os meus filhos, bem como a maioria dos colegas da turma de então, foram chamados como testemunhas no processo) sem me poder manifestar.
Esta foi uma questão de respeito e educação, ou melhor, da falta de ambos.
Foi mais um exemplo da bandalheira que se vive nas escolas, do jogo do empurra perpetuado por um sistema que retira autoridade à figura do professor e por outro lado pede que este faça o que as famílias há muito deixaram de fazer: educar as crianças para o respeito ao próximo e para as normas e regras de uma sã convivência social.
Que o professor teria falhas na sua prestação profissional e social, era já mais do que conhecido. Esta foi uma estratégia aproveitada para o afastar das suas funções, para o castigar por mau comportamento. E do lado dele, professor, que também moveu uma acção à mãe do aluno visado acusando-a de difamação, foi uma maneira de lhe tentar dizer que também ela estaria a exceder os seus limites, a fazer uma tempestade num copo de água, que ela teria também a sua dose de culpa neste triste fado.
E na verdade, esta foi mesmo uma tempestade num copo de água: no próprio dia do acontecimento, foram poucos ou quase nenhuns os alunos que ouviram a frase supostamente proferida “entra lá, preto”.  De acordo com os relatos dos meus filhos, essa foi uma aula absolutamente normal e igual às outras (leia-se: turma de pré-adolescentes em balbúrdia total e grande dificuldade do professor em controlar os ânimos), e o aluno visado, o “preto”, não mostrou quaisquer sinais de isolamento nem abatimento emocional, como relata a notícia do Público. Era como se nada se tivesse passado.
Acontece que, algumas semanas após o sucedido, quando a notícia chegou em manchete aos jornais locais e até aos programas da manhã e tarde na televisão, e se vêm pais “pretos” a vociferar de forma enraivecida em conferências de imprensa improvisadas. De repente deu-se uma epifania e já toda a gente teria ouvido a frase da discórdia, e cada um lhe acrescentava mais um pormenor sórdido para aumentar a intensidade.
Daqui à barra dos Tribunais levou um ano: várias convocatórias intimidatórias para ir à esquadra de investigação criminal prestar declarações acerca do sucedido, várias tardes a faltar ao trabalho para acompanhar os respectivos filhos menores nestas diligências, várias aulas e até testes a que os alunos faltaram para cumprirem o seu dever zeloso de colaborar com a investigação.
Chegado o caso à barra do Tribunal, volta o circo a ser montado: jornais, notícias, manchetes, notificações, esperas intermináveis nos corredores da domus iustitiae, faltas ao trabalho, faltas às aulas, resmas de papéis e horas perdidas em vão.  Já para não mencionar o facto de que o acontecimento estava há muito esquecido na memória dos alunos/testemunhas, e que muitos deles (incluindo os meus filhos) já não frequentavam aquela escola, nem tinham mantido mais qualquer contacto com nenhum dos intervenientes.
E o que é que se ganhou com isto? Nada. Pelo contrário, todos perdemos.
Perdeu a escola, que se mostrou ineficaz em resolver os seus problemas internos (falta de profissionalismo, desrespeito, indisciplina) e de comunicar com os pais;
Perderam os alunos, que se viram obrigados a tomar partido entre um aluno queixoso ou um professor mal educado;
Perdeu o professor, que viu a sua vida pessoal e profissional devassada e irremediavelmente comprometida;
Perdeu a Justiça, que mais uma vez se viu arrastada a toque mediático e se viu forçada a responder a algo que podia ter sido logo sanado à nascença.
Perdemos todos nós, enquanto educadores e membros de uma sociedade, que continuamos a permitir e alimentar as faltas de respeito pelo próximo.
Ah!, afinal parece que alguém ganhou! A família do aluno “agredido” que vai receber uma indemnização no valor de 1000€ (mil euros). Será que os vai doar a uma associação de luta contra o racismo (já que segundo eles, esta era uma questão de racismo…), ou vão aproveitar para estimular a economia nacional e combater o défice, gastando-os numa qualquer superfície comercial?…
E já agora, será que o aluno deixou de ser preto e o professor deixou de ser mal educado?…

Reproduzido, com autorização da autora, daqui

ENTRE O MARTELO E A BIGORNA

Com este título publicou Joaquim Veiguinha um texto no Escola/Informação (revista do SPGL). O texto pode ser lido "em papel" na citada revista ou no computador, na página do SPGL (procurar o espaço "Escola/informação"). Vale mesmo a pena lê-lo inteiro e com espírito crítico. Mas aqui fica algo para aguçar o apetite: trata-se de uma correcta "desmontagem" da ideologia que subjaz à propalada teoria da "igualdade de oportunidades", nomeadamente a que, pretensamente,"a escola pública proporciona a todos" bem articulada com a questão da avaliação dos professores, da proliferação de cursos profissionais, da fuga dos professores... A não perder. leia já!

terça-feira, 25 de maio de 2010

AINDA OS FILHOS DE HITLER

Há quem não tenha mais nada para fazer do que ir passar os dias em frente a uma clínica em Lisboa onde se fazem interrupções voluntárias da gravidez. Este piquete pró-vida, munido de crucifixos com fetos, rosários e e restante parafernália, acha-se no direito de opinar sobre a decisão de outrem em praticar um acto previsto na lei, nas condições previstas na lei.
Estão a exercer o seu direito à liberdade de expressão, dirão alguns. E de facto nada em lei alguma exige que o bom-senso impere quando abrimos a boca, mesmo quando dizemos perante uma câmara de televisão que "Hitler era mau, mas não matou os próprios filhos, ao contrário de quem aqui vem". Mas este grupo não tem pejo em gabar-se de ter convencido várias mulheres a mudar de opinião, e é aí que a linha entre a liberdade de expressão e a liberdade de coacção tem de ser traçada.
Partir do princípio de que todas as mulheres que se dirigem a uma clínica para fazer uma IVG vão de coração destroçado e enfrentam um dilema interno traumatizante é tão absurdo como jurar a pés juntos que todas o fazem levianamente e sem pensarem nas consequências e implicações do acto que vão cometer. As mulheres são capazes de tomar as suas decisões, e lei, no que diz respeito à IGV até às 10 semanas de gestação, reconhece-lhes esse direito sem lhes exigir que se justifiquem. Mas é um facto que para muitas mulheres é uma decisão dura, complexa, que deixa marcas — e são essas mulheres as que estão mais vulneráveis a pressões deste tipo.
A lei prevê, aliás, mecanismos que garantem que a escolha é informada e reflectida. E todos os grupos pró-vida têm direito a formar os seus centros de aconselhamento, desde que não os confundam com marketing agressivo e ingerência. Há uma diferença brutal entre dar um conselho a quem nos pede e abordar na rua quem se dirige a uma instituição de qualquer espécie para cometer um acto legal. É de facto uma questão delicada em termos de utilização do espaço público e de liberdade de expressão, mas qual seria a reacção perante grupos religiosos se que opõem às transfusões de sangue a fazer campanha à porta dos hospitais, ou defensores da amamentação (como quem assina este artigo…) a insultar quem se dirige a uma farmácia para comprar leite artificial?
Num curto espaço de tempo, vimos uma professora precária a ser despedida porque há na autarquia quem ache que uma mulher que mostra o corpo deixa de merecer respeito e deve ser impedida de trabalhar com crianças; e a ASAE confiscou um jornal feminista, com o argumento surreal de que as letras do alfabeto se podem patentear, depois de a empresa queixosa ter usado como argumento que esta publicação tomava "posições contrárias à igreja católica em geral". Mas aceita-se que haja mulheres a serem coagidas a ter filhos, como se os direitos conferidos por leis associadas às famosas causas "fracturantes" fossem mais débeis que os restantes. 
Quando o Estado age com uma dualidade de critérios tão confrangedora, que confere à moral subjectiva de alguns o poder de interferir com as liberdades básicas de outros, exige-se um bocadinho mais do que indignação. Não basta mudar as leis, é preciso garantir que as pessoas são respeitadas. E isso dá ainda mais trabalho, mas é um trabalho que temos de ir fazendo todos os dias.

(Publicado no Esquerda.net)