quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

AINDA A DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA

Correm notícias de que as escolas particulares católicas – e certamente também as outras – estão a organizar protestos contra os cortes que o governo decretou quanto ao financiamento público dessas escolas. Convém recordar o seguinte:

- as escolas públicas vão também elas sofrer avultados cortes nas verbas de funcionamento. Não se percebe por que razão as escolas públicas estariam sujeitas a esses cortes e as privadas-financiadas o não estariam.
- é absolutamente condenável e contrário aos interesses do país a existência de escolas privadas com financiamentos públicos em áreas onde a oferta pública seja suficiente. Trata-se evidentemente de uma duplicação de despesas e de desbaratamento dos dinheiros públicos, sendo que a Constituição determina que o estado tem a obrigação de criar uma rede pública de estabelecimentos de ensino que cubra as necessidades da população. (Nota: é falso que estes alunos das escolas privadas financiadas fiquem mais baratos que os das escolas públicas)
- Claro que me preocupa a hipótese de desemprego que o eventual encerramento destas escolas possa provocar e é necessário precaver esse perigo. Mas o princípio da primazia da Escola Pública como avanço civilizacional e de justiça social deve prevalecer.

Nota: Nestas matérias acompanho as ideias do secretário de Estado da Educação Trocado da Mata expresso em artigo do “Público” a que se refere o editorial da página do SPGL.

TODOS SOMOS A WIKILEAKS

Concentração de Apoio à WikiLeaks
Sábado, 11 de Dezembro, 15h
Largo do Chiado (Lisboa)

No próximo sábado, e em consonância com todo um movimento internacional de mobilização, convidamos todos os cidadãos que pensam que a liberdade de expressão e o livre acesso à informação são direitos inalienáveis, a concentrarem-se a partir das 15h no Largo do Chiado, em Lisboa.
Apelamos ao fim do bloqueio da Wikileaks que tem vindo a suceder por parte de várias empresas; apelamos ainda à não extradição de Julian Assange pelos riscos de vir a ser desrespeitado o seu direito a um julgamento justo devido a pressões internacionais.
Mas a WikiLeaks é mais do que uma pessoa, a WikiLeaks somos todos nós. Todos aqueles que acreditam na liberdade de expressão e na transparência da informação.
Todos somos a Wikileaks.


ESTE BLOG É A WIKILEAKS!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DÁ VÓMITOS

Num desses programas para entreter à hora do almoço, a RTP mostrou a assinatura de um apoio ao voluntariado por parte do sr. Zenal Bava, o homem forte da PT e de Faria de Oliveira, manda-chuva da CGD. Se nos lembrarmos que o senhor Bava é o principal responsável pela fuga da PT aos impostos, através da "antecipação dos dividendos", percebemos melhor a marosca: o sr. Bava contribuirá com uma escassíssima parte do que roubou; a RTP encarrega-se de publicitar tamanha generosidade de modo a limpar-lhe a imagem. Aposto como dentro de alguns dias veremos nas televisões acções de benemerência dos senhores Dias Loureiro, Oliveira e Costa, etc. e tal. Tinha já para mim como adquirido que os incensados "beneméritos" que passam pelas nossas aldeias, vilas e cidades são verdadeiros "ladrões de colarinho branco": devolvem sob subserviente aplauso uma ínfima parte do que roubaram. Claro que há excepções — e esses perdoar-me-ão.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O FRETE DO PS AOS GRANDES CAPITALISTAS

A decisão da Assembleia da República de não impedir a fuga aos impostos – porque é disso que se trata – por parte das maiores empresas e dos seus grandes negócios até pode ter fundamento legal. Mas deve então ficar claro que quem nos tem vindo a governar criou leis que “legalizam” a fuga aos impostos das grandes empresas. Para o comum dos mortais a questão de fugir legalmente aos impostos não se põe – é um privilégio para os mais poderosos.
A Assembleia da República até pode ter razão: se obrigasse as empresas poderosas a pagar os impostos devidos – porque as pequenas e as médias, essas, pagam-nos – elas poderiam fugir do país. Ou seja: quem nos tem vindo a governar tratou de criar um sistema que concede aos grandes grupos financeiros e económicos o poder total sobre o país, tornando o Estado refém dos seus interesses.
Ou seja: os deputados que votaram contra a proposta que previa que se obrigassem as grandes empresas a pagar os impostos devidos aprovaram implicitamente que uma sociedade justa é a que obriga os mais pobres a pagar a dívida que os mais ricos provocaram; aprovam uma sociedade que, para combater a crise, torna os pobres ainda mais pobres, mas isenta os ricos de pagarem os impostos, tornando-os ainda mais ricos.
Os deputados que aprovaram tamanha iniquidade são os mesmos que afirmam ser necessário que a crise seja superada pelo esforço de todos equanimamente repartido: são uns hipócritas. E bem pode o Francisco de Assis “armar-se em virgem ofendida” que isso não altera a realidade: esta medida é contra quem trabalha – esses vão pagar mais impostos e ter redução de salário para cobrir o prejuízo dos que, devendo pagar, são disso “libertados” por decisão da Assembleia da República. Custa ver o PS a favor tamanho frete.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

INSIDE JOBS — A VERDADE DA CRISE : UM FILME A NÃO PERDER

Corro o risco de chegar tarde — este filme deve estar quase a despedir-se. Fui vê-lo ontem, no cinema King. Duas ou três ideias me marcaram:
1. Os responsáveis pela crise continuam nos lugares de topo da economia mundial, "prontinhos" a regressar "ao mesmo" logo que o comum dos mortais pague os disparates — e os crimes — que cometeram e de que continuam a ufanar-se.
2. A economia é um domínio de investigação fortemente marcado pelos interesses ideológicos e dos grandes grupos económicos e financeiros; as grandes universidades norte americanas e inglesas produzem as teorias económicas de acordo com os interesses dos grandes banqueiros e dos poderes políticos. E fazem-no sem qualquer pudor. O circuito entre as cátedras das universidades de Economia e as direcções das grandes empresas financeiras é em tudo semelhante  ao circuito português entre ministros e directores de grandes empresas. (O paralelismo com os nossos João Duque , Cantigas Esteves e quejandos é mais que óbvio! O Cavaco também por lá andou).
3. Os EUA tornaram-se, segundo o filme, num país de desigualdades gritantes, crescendo em flecha o número de pobres e muito pobres.
4. Enfim, a amargura de não saber como mudar este estado de coisas. Precisávamos de acabar com o capitalismo. Infelizmente a experiência comunista pôs fim a uma esperança que - ilusoriamente — nos acompanhou durante muito tempo. Mas é tempo de idealizar outras saídas. Caso contrário, ficaremos à espera da próxima crise.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

1 DE DEZEMBRO

Comemora-se hoje a restauração da independência de Portugal, em 1640, depois de ocupado pelo domínio espanhol desde 1580. Não se vê qualquer manifestação de regozijo popular; restam as  comemorações  e discursatas obrigatórias. Se este desinteresse pela "independência" significasse  a preferência por uma boa aposta na integração europeia, privilegiando a construção de uma Europa em detrimento de ultrapassados e perigosos nacionalismos, seria um bom sinal. Mas não é isso que se passa. Também não acreditamos numa Europa que nos trata com desdém, nos impõe o que podemos ou não podemos fazer, cujos países mais ricos nos submetem a medidas que reduzem a zero a nossa autonomia (e dignidade) e, sobretudo, uma Europa cujos capitalistas nos exploram até à medula. Estamos sem Portugal e sem Europa. Se não reagirmos, ficaremos também sem futuro.