segunda-feira, 30 de abril de 2012
TADINHO DELE!
O rosto mais conhecido da fraude BPN, José Oliveira e Costa, alega que só queria fazer dinheiro para bem da sociedade. Claro que acredito. Só que para tal sujeito a sociedade era bastante limitada: os amigalhaços, os filhos dos amigalhaços, as namoradas dos filhos dos amigalhaços. Sem esquecer o Cavaco e uns tantos cavaquistas. Consta que era só pedir: de coração aberto o notável economista Oliveira e Costa distribuía logo uns largos milhões.
Somos nós todos agora a pagar tamanha bondade. Fala-se em 8,3 mil milhões , a quantia que o Estado pode vir a perder com o BPN– muito mais do que o valor dos subsídios de férias e natal roubado aos trabalhadores… Ou seja: os meus subsídios de férias e de natal – e de milhões de portugueses – vão servir para pagar a “bondade” destes criminosos. Que obviamente se encheram de massa. Ainda se lembram do Cavaco a garantir que era de certeza o homem mais honesto do mundo? (“ainda está para nascer quem seja mais honesto do que eu”- se não foi com estas palavras exatas, a ideia que ele expressou em debate televisivo foi claramente essa). Segundo o DN de hoje, também ele está incluído no rol dos beneficiários com a fraude do BPN.
Esperemos que tamanha inteligência e audácia bancária não promova outra vez estes sujeitos a ministros de um qualquer tipo semelhante ao Cavaco.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
VAMOS A UM 1º DE MAIO DE ARROMBA!
Parece-me que a Manif do 25 de Abril foi boa. Bastante gente, apesar da chuva. E, ao que me dizem (quando se vai ordeiramente no corpo da manifestação perde-se a visão do conjunto…) havia muita gente nova, o que é um bom sinal.
Também me parece que a atitude de rebeldia dos militares (ou pelo menos da Associação 25 de Abril) teve um efeito catalisador – alertou para a tendência de reduzir o 25 de Abril aos aspetos meramente formais de uma democracia não participada.
Teremos iniciado um novo momento – um momento de saída da triste letargia em que mergulhámos? Uma boa resposta a esta pergunta pode ser dada pela amplitude do próximo 1º de Maio. Vamos lá com toda a força e genica! Precisamos de ganhar confiança em nós próprios!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
PRETO NO BRANCO
CUSTO DO TRABALHO EM PORTUGAL É TRÊS VEZES MENOR QUE EM FRANÇA
Foi o insuspeito “EUROSTAT” que ontem mesmo divulgou estes números. Segundo o estudo divulgado, o custo médio de uma hora de trabalho em Portugal é de 12,10 Euros (ano de 2011), ao passo que em França é de 34,02 Euros. Diferença que se acentuou no ano de 2011, ano em que a zona euro aumentou em média 0,70 Euros, enquanto que em Portugal o aumento foi de 0,10 Euros.
Para comparar: valor médio de uma hora de trabalho na Bélgica: 39,30 Euros; na Dinamarca, 38,60…
Mas ainda há quem defenda que o custo do trabalho em Portugal é muito alto e uma das razões de nossa dita falta de competitividade!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
OS AVISOS QUE VÊM DE FRANÇA
1. A extrema-direita, um pouco por toda a Europa, vai crescendo com a crise económica e social: o desemprego, os baixos salários, a descrença no futuro. Depois dos seus avanços eleitorais na Finlândia, Holanda, Bélgica, a acrescentar à Itália e à sua real implantação nos ex-soviéticos, não é de espantar a votação de Marine Le Pen. Não é de estranhar, mas é de ficar preocupado. Se a Frente Nacional confirmar nas eleições legislativas, que se vão realizar muito em breve, esta votação (e há quem admita que possa mesmo aumentar!) a situação na França e por arrastamento na Europa fica muito sombria. Ou se resolve a situação económica ou estaremos a dar largos passos para um “fascismo com novo rosto” que, se for necessário, retomará o “velho”.
Reflexão obrigatória: estudos sociológicos garantem (não possuo dados para confirmar nem infirmar) que boa parte dos votantes da “Front National” são transferência direta do PCF e que a FN é atualmente o partido com maior número de militantes operários.
2. Melenchon não atingiu o patamar que as sondagens indicavam. Mesmo assim teve uma boa votação (11%). Há quem defenda que com a sua “Front de gauche” renasceu das cinzas a esquerda à esquerda do PSF. Também aqui só as legislativas poderão confirmar se assim vai ser. Mas vai um aplauso para a capacidade da esquerda se estar a unir e a entender. O contrário do que se passa entre nós. Pode ser que o exemplo francês frutifique também entre nós.
3. A Europa precisa que Hollande ganhe. É que, contrariamente ao que alguns apregoam entre nós, a “direita socialista” não é igual á outra direita e à extrema direita… (Traduzo: é uma estupidez agir como se o PS – apesar dos seus graves desvios de direita- fosse igual ao PSD e ao CDS…)
domingo, 22 de abril de 2012
IAC- INICIATIVA PARA UMA AUDITORIA CIDADÃ À DÍVIDA
Se ainda não sabe o que é a IAC, é bom que se informe! Aqui fica uma parte da sua "newsletter", com cujo conteúdo estou inteiramente de acordo.
"O Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária, discutido e aprovado na Assembleia da República nos dias 12 e 13 de Abril, pode parecer mais um ditado de credores do que um tratado; na realidade, a sua aplicação terá um impacte profundo na vida dos povos europeus.
Embora poucos portugueses o conheçam e tenha sido aprovado às escondidas — discutido num dia, aprovado no outro —, para quem o leu ou ouviu falar dele, é claro que:
— impõe limites para o défice público que são inatingíveis para a maior parte dos países subscritores;
— obriga a pagar a dívida pública em ritmos impossíveis;
— retira aos parlamentos nacionais a prerrogativa de definir a política orçamental do seu país;
— instaura, de forma permanente, a austeridade como único programa político no seio da União Europeia.
É um tratado intergovernamental, não da União Europeia, com uma clara influência do lobby financeiro em Bruxelas. No entanto, um país da UE que não o aprove é castigado com a impossibilidade de acesso aos empréstimos dos fundos da própria UE. Mais tarde ou mais cedo, este tratado acabará por ser revogado, por incumprimento generalizado, mas até lá tornará a austeridade mais dura e agressiva. Não é um tratado sobre estabilidade, coordenação e governação, mas um tratado sobre austeridade, desigualdade e destruição.
Por isso, a Iniciativa para uma Auditoria Cidadã apela à suspensão da aprovação do tratado, para que se abra o debate público e se respeite o direito constitucional à informação. Não aceitamos que decidam o futuro à nossa revelia. A voz dos cidadãos tem de ser ouvida."
13 de Abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
EM DEFESA DA …UGT!
O acordo assinado pela UGT com o governo e com o patronato, que está agora a ser traduzido em leis pela Assembleia da República, é um violentíssimo ataque aos trabalhadores. É lamentável que a UGT o tenha assinado. Apesar disso, acho que é de uma grave falta de lealdade (de dignidade e mesmo de bom senso) que o primeiro-ministro, num país estrangeiro, tenha dito que as “lamentações” da UGT quanto ao não cumprimento do acordo por parte do governo se devem à proximidade do 1º de maio –festa dos trabalhadores. O primeiro-ministro não tem o direito de ridicularizar, ainda por cima no estrangeiro, um dirigente político-sindical com quem acabou de fazer um acordo. E sobretudo não tem o direito de minimizar o 1º de maio. Em suma: fica bem claro que Passos Coelho não é de confiança; e que tem um “natural” ódio ao Dia do Trabalhador. Ao dia e aos trabalhadores, está claro! E se corrêssemos com o sujeito?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
NOVAS ESQUERDAS
Os artigos de Rui Tavares, regularmente insertos no diário “Público”, suscitam quase sempre interesse e reflexão. O de hoje (18 de abril) não é exceção. Glosando o que se está a passar na América latina, na França, Grécia e Itália, R.T. sustenta que está a emergir uma nova esquerda e conta com ela para a derrota do neoliberalismo que nos vai corroendo o estado social tão laboriosamente construído. Não deixo de lhe dar razão, desde que estas novas esquerdas não se façam com exclusão das esquerdas “velhas”. É indispensável que neste eventual e desejável processo de uma “nova esquerda”, em Portugal, o PS, o PCP e o BE façam parte da solução e não se constituam em problema quer por se autoexcluírem quer por serem excluídos. Vale a pena ler e refletir sobre o que Rui Tavares escreveu. Sobretudo, vale a pena acelerar o passo no objetivo por ele traçado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)