sábado, 21 de julho de 2012
MEMÓRIAS DIFERENTES
SOBRE O COMPORTAMENTO DOS PROFESSORES NAS GALERIAS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
A pequena encenação dos professores (membros do conselho
nacional da FENPROF e alguns “candidatos” ao desemprego imediato (contratados)
ou a curto prazo (horários-zero) tem merecido o aplauso de uns e o desagrado de
outros. Convém analisar argumentos de um lado e do outro.
- entre os que não gostaram há quem considere que foi um
comportamento de “hooligans”. O argumento é muito fraco. Contrariamente ao
“hooliganismo” (eu fiz parte da encenação) não houve qualquer violência da
nossa parte. Mesmo os que não se contiveram (tínhamos combinado ficar em
silêncio enquanto desfraldávamos os panos pretos, o que teria sido mais
interessante) foram bem comedidos nos seus breves impropérios. Outros
consideram que a Assembleia da República é um espaço demasiado nobre para
manifestações. Também este argumento não me convence. De facto, a “praxe” está
bem definida: quem, nas galerias, protestar ou apoiar é expulso dessas
galerias. Aceitámos as regras do jogo: manifestámo-nos, o mais ordeiramente
possível, e sofremos as previamente conhecidas consequências. Podíamos ter sido
“identificados para posterior procedimento”, o que não aconteceu. Mas disso
também estávamos conscientes. O espaço símbolo da democracia não pode estar
imune à manifestação dos cidadãos, mesmo que de forma controlada. Também não
colhe a acusação de que não nos interessou ouvir o que o governo e os deputados
tinham para dizer: aguentámos estoicamente duas horas e meia de intervenções,
algumas das quais mereceriam resposta imediata e desagradável.
Há quem ache que manifestações, quaisquer que sejam, não são
prática digna da classe docente. Sentem-se mal. Acham que a manifestação
pública é uma prática “inferior”, própria de operários e comunistas. Ouço
muitas vezes este tipo de argumento (?) nas escolas. A esses limitar-me-ei a
repetir uma das palavras de ordem da nossa última manifestação: “quando luto,
também estou a ensinar”. Estou a dizer aos meus alunos que a participação política
e cívica é um dever de cidadania, que é um dever, também deles, usarem todos os
direitos democrática para a construção de uma sociedade mais justa. Inclusivamente,
o direito de manifestação.
O que me diz a consciência sobre esta encenação na A.R.? Que
cumpri o dever de ajudar a alertar o país para o crime humanitário que está a
ser feito a uma boa parte da classe docente: os muito milhares de contratdos
que em Setembro ficarão s desempregados. E para isso, utilizei, devidamente, um
dos espaços democráticos, isto é, do povo – a Assembleia da República.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Na Assembleia da República MINISTRO NÃO TEM A DIGNIDADE DE RECONHECER QUE FOI OBRIGADO A RECUAR
Bem se esforçaram os deputados, mas não conseguiram que Nuno
Crato dissesse qual o número de professores com horário zero (vulgo DACL) que
constavam na plataforma, dado que os diretores de escolas/agrupamentos tiveram
de aí indicar, até 6ª feira passada. Alegava o ministro que esses números eram
transitórios e que apenas falaria quando, em 16 de agosto, tivesse números
definitivos. Argumentação fraquíssima: perante os deputados (e o país) o
ministro deveria indicar os números disponíveis, salientando, se o entendesse ,
que eram provisórios..
Mas a recusa do ministro em cumprir o seu dever para com os
deputados tinha uma causa forte. Perante os números alarmantes que os diretores
tinham lançado na plataforma – boa parte deles também enviados para os
sindicatos da FENPROF -, uma média de 20 por cada escola, o ministro percebeu a
inutilidade do desastre que estava a provocar: manter os critérios que tinha
imposto aos diretores gerava uma situação kafkiana: sujeitava a concurso
professores que, na maioria dos casos, acabariam por ficar na sua própria
escola por não terem vaga em nenhuma outra. Reagindo rapidamente, o MEC tinha
na véspera feito chegar às escolas novas regras, bastante mais flexíveis, com
as quais os diretores passaram a poder construir horários para muitos dos
professores que tinham indicado para DACL. Ainda bem. Mas era mesmo isso que o
ministro deveria ter dito aos deputados…
Claro que boa parte dos diretores respirou de alívio.
Sentimos a angústia que foi para muitos deles dizerem a colegas de 10, 15, 20
anos “olha, tenho de te por a concurso…”.
Os sindicatos da FENPROF (outros estiveram sempre calados)
podem legitimamente dizer que a permanente denúncia da situação que foram
fazendo obrigou o ministério a recuar e a encontrar soluções. Mas para os
sindicatos sobra ainda um gravíssimo problema – a situação dos contratados.
Continuaremos a denunciar a ameaça de desemprego generalizado que paira sobre eles
e exigimos que para eles também seja encontrada uma solução digna. Os
professores continuam em luta, como o diziam os panos pretos com que “nos
despedimos” de uma sessão na Assembleia da República em que as respostas e as
não respostas da equipa do MEC nos deixaram ainda com mais preocupações quanto
ao futuro da educação em Portugal. Entre as não respostas ficou a pergunta:
porque não paga o MEC a compensação por caducidade do contrato aos contratados,
apõe 42 sentenças dos tribunais nesse sentido? Entre as respostas dadas
registe-se o reconhecimento de que o MEC pretende voltar à situação de obrigar
os jovens a escolher desde muito cedo entre a via académica (que ficará
obviamente para os mais ricos…) e a via profissional (para os mais pobres, está claro), num
regresso aos tempos anteriores a 1974.
Uma última nota: vamos exigir que o ministro cumpra o que
anunciou: vinculação extraordinária de contratados ainda este ano…
terça-feira, 17 de julho de 2012
OBSCENIDADES E FALTA DE VERGONHA DO MEC ( OU OS EFEITOS DE UMA OBEDIÊNCIA CANINA À DITADURA DA TROIKA)
Com a devida vénia e aplauso, transcrevo partes de um texto
de P.Guinote, publicado no jornal “Público” de 17 de Julho:
“ (…) O que se está a
passar com a definição de horários-zero neste final de ano lectivo é algo
vergonhoso e obsceno, um exercício espúrio, moral e eticamente inaceitável, de
uma engenharia profissional em que um MEC sem capacidades de planeamento anda a
brincar com a vida profissional, pessoal e familiar, daqueles que deveria saber
mobilizar para uma melhoria da educação, não para o objectivo mesquinho da
educação possível com o preço mais baixo”
E sobre os contratados:
“Também em relação aos
professores contratados há anos a insensibilidade é total, bem como a aparente
falta de previsão dos efeitos secundários do lançamento de pelo menos 10-15 mil
trabalhadores qualificados para o desemprego ou subemprego, atingindo quase
tantos milhares de famílias e agravando uma situação de ruptura social,
indecorosa quando comparada com a forma leve e descontraída como continuam a
mover-se a maioria dos interesses instalados na órbita do Orçamento de Estado”
Enfim: sabe bem ver que não são já apenas os sindicatos da
FENPROF a denunciar esta miserável atuação do MEC. Um grande esforço de unidade
entre todos os que não comungam deste miserável comportamento, de modo a
por termo a esta barbárie, é uma exigência moral e política.
domingo, 15 de julho de 2012
PAULO PORTAS 2
Além do que anteriormente escrevi sobre a fraudulenta tese de que no público se ganha mais do que no privado, merece também ser analisada outra das ideias que PP vem impingindo: a de que não há despedimentos na função pública, ou que aí há maior estabilidade. Nos tempos que correm, em que se anuncia o despedimento de 20000 professores em Setembro, esta afirmação é, pelo menos, extemporânea…Boa parte destes contratados agora escorraçados serviram a causa pública, consecutivamente no ministério da Educação, durante 10, 15 ou mesmo 20 anos, sem nunca deixarem de ser contratados. O que seria considerado uma irregularidade grave se fosse no privado.
Claro que Paulo Portas sabe isso: quando era oposição fez aprovar na A.R. uma recomendação ao governo de Sócrates para que vinculasse – isto é, criasse estabilidade e progressão na carreira – aos docentes contratados com 10 anos de serviço. Logo que foi para o governo, fez o mesmo que Sócrates: ignorou a dita recomendação.
Assim se triunfa na política em Portugal!
sábado, 14 de julho de 2012
PARA PAULO PORTAS, POLÍTICA É DEMAGOGIA
Paulo Portas é um homem inteligente. Paulo Portas domina bem a arte da retórica. Sabe melhor do que ninguém que, falando para um vasto auditório, importante é dizer o que o “auditório”gosta de ouvir, mesmo que o que se diz não seja verdade. O homem forte do CDS-PP sabe muito bem que, comparando cada uma das funções, não é verdade que no “público” se ganhe mais do que no privado. Os docentes que trabalham nas escolas privadas ou cooperativas do ensino não-superior ganham praticamente o mesmo que os das escolas públicas – fruto aliás de forte campanha dos sindicatos, nomeadamente do SPGL, nesse sentido. Sabe que os médicos no “privado” ganham muito mais do que no público. Sabe que uma queixa dos gestores públicos é que ganham menos que os gestores do privado. Conhece certamente a “queixa” do atual ministro da Saúde de que perdeu muito dinheiro quando aceitou ir para o governo, deixando de ser pago pelo banco privado em que trabalhava. Os funcionários auxiliares e administrativos das escolas públicas ganham miseravelmente. E podíamos continuar a fazer comparações várias.
O ministro Paulo Portas sabe muito bem que o que, em termos absolutos, provoca que a média dos salários na função pública seja superior à do privados é o número de quadros superiores altamente qualificados que os serviços públicos, se querem ter qualidade, têm de empregar: professores (em número muito superior aos que lecionam no privado), médicos e enfermeiros (idem), juízes, técnicos das finanças, e os inúmeros licenciados necessários ao funcionamento da máquina administrativa do Estado. O sujeito sabe tudo isto. Mas sabe também que nessa maneira ordinária de fazer política, a demagogia, que é apenas a mentira mais refinada, dá sempre lucro…imediato. Talvez que uma das causas da nossa crise esteja no uso permanente das artes da demagogia na prática política.
AFINAL DE CONTAS, O QUE É UM ENSINO SUPERIOR?
1.
Este caso do ministro Relvas pode e deve ser
analisado sob diferentes perspetivas. A mais óbvia: em qualquer país decente um
ministro decente que se visse envolvido num caso destes teria já apresentado a
sua demissão. Se a falta de decência recai sobre o país ou sobre o ministro
deixo à vossa escolha.
2.
Também o impacto que terão sobre a credibilidade
dos políticos as justificadíssimas dúvidas sobre as licenciaturas de José
Sócrates e agora do ministro Relvas -
pelo menos eticamente fraudulentas – me parece inevitável e já tratado.
3.
Parece-me que há que questionar se em boa
verdade um “ensino superior” pode em algum caso transformar uma qualquer
prática ou vivência num conhecimento de nível superior. Isto é, se
epistemologicamente se poderá estender para as universidades o modo de entender
que presidiu – e bem - ao programa das Novas Oportunidades, pensado e limitado
ao ensino não superior mas que a Lusófona ,pelos vistos, estendeu às suas
licenciaturas.
Sempre entendi um ensino superior como um
campo onde a fundamentação científica e portanto teórica de um qualquer
conhecimento deveria ser exigência primeira, conhecimentos de resto sujeitos a
procedimentos metodológicos rigorosos. Não vejo como isso se compatibilize com
dar “equivalências” a cadeiras de um qualquer curso. Se uma universidade
pretende salientar o “curriculum vitae” de alguém que, não sendo cientista,
desempenhou papel relevante na sociedade, confere-lhe o grau de doutor “honoris
causa”, isto é, distingue-o tendo em atenção o seu valor como pessoa, o que é
bem diferente de lhe dar equivalências científicas. Quanto muito Relvas podia
ser licenciado “honoris causa”… o que seria uma ofensa para a tradição da
concessão desta distinção honorífica.
terça-feira, 22 de maio de 2012
MITOLOGIAS: AS REFORMAS ESTRUTURAIS
Não há discurso de economista ou gestor bem engravatado que não use e abuse da afirmação de que é necessário fazer reformas estruturais. Obviamente que é preciso. Só que as reformas estruturais podem ir em sentidos diferentes. Na boca de todos estes comentadores encartados “reformas estruturais” significa sempre maior poder aos “mercados”e aos patrões. Significa sempre enfraquecer os direitos dos trabalhadores. Tem sempre no bojo a sanha contra os serviços públicos.
Enfim: as mitologias como embuste.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O SPGL E A LUTA PELA INDEPENDÊNCIA DE TIMOR
Num momento em que se comemoram 10 anos da independência de Timor e m que as televisões nos apresentam os esforços das gradas figuras políticas que por ela lutaram, sinto necessidade de, em nome do rigor, tornar público que foi o SPGL que primeiro reagiu publicamente ao massacre que sobre o povo timorense desabou na sequência dos resultados do referendo em que os timorenses escolheram com grande clareza a via da independência.
Foi de facto aqui, no SPGL, que um pequeno grupo de pessoas pensou, entre 2 e3 de setembro (de 1999) ser necessário reagir. Em dois ou três dias, o SPGL contactou outros sindicatos, autoridades da igreja, outras organizações e desafiou-as para uma concentração de repúdio pelo comportamento dos indonésios. Escolhemos o espaço em frente da maternidade Alfredo da Costa porque ficava perto do escritório das Nações Unidas em Lisboa – espaço que a princípio admitimos que talvez fosse demasiado grande – e imprimimos no SPGL uns milhares de A5 que fomos distribuir para a Festa do Avante que então decorria. Combinámos que na concentração falaria o Paulo Sucena (ao tempo presidente do SPGL e secretário-geral da FENPROF), alguém em nome da igreja católica (reconhecendo o papel que Ximenes Belo e a igreja católica estavam a desempenhar na resistência do povo timorense) e alguém da comunidade timorense em Lisboa.
A Adélia Almeida, o Manuel Grilo e eu próprio, num contra-relógio quase impossível, montamos um pequeno palco e preparámos a logística. Esperávamos alguma gente, mas não o que aconteceu. Ficamos todos estupefactos quando à hora marcada vimos chegar uma enorme massa de gente que rapidamente esgotou o recinto e parte da Av. Fontes Pereira de Melo e da Rua Latino Coelho. Chegaram também ministros (tenho presente o ministro Oliveira Martins), deputados, gente grada da nossa política (recordo Bagão Félix, por exemplo)
Foi esse o arranque para um outro encontro já mais organizado e formalizado, também aqui no SPGL (talvez já com a chancela da FENPROF) que organizou as enormes manifestações que se desenrolaram em Lisboa em apoio do povo de Timor.
terça-feira, 15 de maio de 2012
NUNO CRATO : UM FUNDAMENTALISMO NEGATIVISTA DOENTIO
A decisão de encerrar os cursos de Novas Oportunidades e de despedir o pessoal que os garantia, na ausência de uma avaliação séria do processo e, sobretudo, sem apresentar qualquer alternativa para os trabalhadores que, legitimamente, pretendem voltar à escola e verem reconhecidas as competências entretanto adquiridas, revela uma faceta preocupante num ministro da Educação: o de fiel servo de um fundamentalismo pedagógico que considera como “válido” apenas o que é tradicionalmente aceite como “culturalmente” importante, antes de tudo, a matemática e a língua nacional.
Evidencia também um elitismo populista: ao mesmo tempo que cede ao senso comum e à retórica mediática de uns tantos arautos do “saber fechado”, reafirma o seu conceito elitista de que nem todos têm o direito de voltar à escola. Se a questão era – talvez fosse –falta de exigência, então impunha-se estabelecer novos mecanismos que a garantissem e estimulassem. Nuno Crato foi pelo caminho mais simples, mas mais inútil: acabe-se com as Novas Oportunidades já!
sábado, 12 de maio de 2012
PASSOS COELHO: INSENSIBILIDADE, ESTUPIDEZ OU PROVOCAÇÃO ?
Num tom solene, o primeiro-ministro –que obviamente nunca saberá o que é estar desempregado e sem meios para uma mera sobrevivência – considerou que quem está desempregado é porque “falhou” e que deve aproveitar o seu fracasso para se lançar numa nova vida. Estar desempregado, sustenta Passos Coelho, é uma oportunidade a aproveitar, nomeadamente para se tornar empreendedor e criativo.
Em nome dos muitos desempregados- boa parte de longa duração e sem qualquer perspetiva possível para o seu futuro – digo-lhe que considero o seu discurso um escarro. Uma agressão inútil a quem já foi sobejamente agredido. Um apoio asqueroso a que o patronato despeça e se sinta moralmente justificado pela oportunidade de “nova vida” que dá a quem despede.
Um desempregado, por regra, não tem nenhuma oportunidade de “mudar de vida”. Luta pela sobrevivência – em nome da qual aceitará o trabalho que lhe aparecer- se aparecer. Luta por manter a dignidade possível.
Passos Coelho, se deixar de ser primeiro-ministro, não ficará desempregado. Mais um motivo para correr com ele. Precisamos de quem governe, dispensamos quem nos insulte.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
CONSTÂNCIO E COMPANHIA
Uma das “técnicas” usadas pela ideologia capitalista é considerar que os atores dos processos não são pessoas, com nomes, fotos, e outros “dados “ mas sim estruturas abstratas, impessoais, genéricas. Deixou de haver capitalistas; agora há “mercados”, ações bolsistas… Fala-se das fraudes do BPN como se não fossem pessoas muito concretas que as fizeram e as permitiram. É nesse contexto que não deixa de ser interessante a divulgação e a análise que o Diário de Notícias está a fazer sobre o caso BPN. É salutar que no número de hoje – dia 2 de maio de 2012- aquele diário deixe claro que Vitor Constâncio, Carlos Santos e Clara Machado (todos ao tempo altos quadros do Banco de Portugal)têm reais responsabilidades nas fraudes cometidas. Competia-lhes supervisionar o BPN e não o fizeram. Por incompetência? Por desleixo? Por corrupção? O que – sublinha ainda o DN- é ainda mais incrível é que esta incompetência (pelo menos) tenha sido recompensada com agradáveis promoções: Constâncio para o Banco Central Europeu (BCE). Carlos Santos para o BPP e Carla Machado passou a mediadora de crédito. Eles falharam, portanto foram promovidos, enquanto que nós…pagamos com língua de palmo o roubo que uns fizeram e outros deixaram fazer…
segunda-feira, 30 de abril de 2012
TADINHO DELE!
O rosto mais conhecido da fraude BPN, José Oliveira e Costa, alega que só queria fazer dinheiro para bem da sociedade. Claro que acredito. Só que para tal sujeito a sociedade era bastante limitada: os amigalhaços, os filhos dos amigalhaços, as namoradas dos filhos dos amigalhaços. Sem esquecer o Cavaco e uns tantos cavaquistas. Consta que era só pedir: de coração aberto o notável economista Oliveira e Costa distribuía logo uns largos milhões.
Somos nós todos agora a pagar tamanha bondade. Fala-se em 8,3 mil milhões , a quantia que o Estado pode vir a perder com o BPN– muito mais do que o valor dos subsídios de férias e natal roubado aos trabalhadores… Ou seja: os meus subsídios de férias e de natal – e de milhões de portugueses – vão servir para pagar a “bondade” destes criminosos. Que obviamente se encheram de massa. Ainda se lembram do Cavaco a garantir que era de certeza o homem mais honesto do mundo? (“ainda está para nascer quem seja mais honesto do que eu”- se não foi com estas palavras exatas, a ideia que ele expressou em debate televisivo foi claramente essa). Segundo o DN de hoje, também ele está incluído no rol dos beneficiários com a fraude do BPN.
Esperemos que tamanha inteligência e audácia bancária não promova outra vez estes sujeitos a ministros de um qualquer tipo semelhante ao Cavaco.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
VAMOS A UM 1º DE MAIO DE ARROMBA!
Parece-me que a Manif do 25 de Abril foi boa. Bastante gente, apesar da chuva. E, ao que me dizem (quando se vai ordeiramente no corpo da manifestação perde-se a visão do conjunto…) havia muita gente nova, o que é um bom sinal.
Também me parece que a atitude de rebeldia dos militares (ou pelo menos da Associação 25 de Abril) teve um efeito catalisador – alertou para a tendência de reduzir o 25 de Abril aos aspetos meramente formais de uma democracia não participada.
Teremos iniciado um novo momento – um momento de saída da triste letargia em que mergulhámos? Uma boa resposta a esta pergunta pode ser dada pela amplitude do próximo 1º de Maio. Vamos lá com toda a força e genica! Precisamos de ganhar confiança em nós próprios!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
PRETO NO BRANCO
CUSTO DO TRABALHO EM PORTUGAL É TRÊS VEZES MENOR QUE EM FRANÇA
Foi o insuspeito “EUROSTAT” que ontem mesmo divulgou estes números. Segundo o estudo divulgado, o custo médio de uma hora de trabalho em Portugal é de 12,10 Euros (ano de 2011), ao passo que em França é de 34,02 Euros. Diferença que se acentuou no ano de 2011, ano em que a zona euro aumentou em média 0,70 Euros, enquanto que em Portugal o aumento foi de 0,10 Euros.
Para comparar: valor médio de uma hora de trabalho na Bélgica: 39,30 Euros; na Dinamarca, 38,60…
Mas ainda há quem defenda que o custo do trabalho em Portugal é muito alto e uma das razões de nossa dita falta de competitividade!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
OS AVISOS QUE VÊM DE FRANÇA
1. A extrema-direita, um pouco por toda a Europa, vai crescendo com a crise económica e social: o desemprego, os baixos salários, a descrença no futuro. Depois dos seus avanços eleitorais na Finlândia, Holanda, Bélgica, a acrescentar à Itália e à sua real implantação nos ex-soviéticos, não é de espantar a votação de Marine Le Pen. Não é de estranhar, mas é de ficar preocupado. Se a Frente Nacional confirmar nas eleições legislativas, que se vão realizar muito em breve, esta votação (e há quem admita que possa mesmo aumentar!) a situação na França e por arrastamento na Europa fica muito sombria. Ou se resolve a situação económica ou estaremos a dar largos passos para um “fascismo com novo rosto” que, se for necessário, retomará o “velho”.
Reflexão obrigatória: estudos sociológicos garantem (não possuo dados para confirmar nem infirmar) que boa parte dos votantes da “Front National” são transferência direta do PCF e que a FN é atualmente o partido com maior número de militantes operários.
2. Melenchon não atingiu o patamar que as sondagens indicavam. Mesmo assim teve uma boa votação (11%). Há quem defenda que com a sua “Front de gauche” renasceu das cinzas a esquerda à esquerda do PSF. Também aqui só as legislativas poderão confirmar se assim vai ser. Mas vai um aplauso para a capacidade da esquerda se estar a unir e a entender. O contrário do que se passa entre nós. Pode ser que o exemplo francês frutifique também entre nós.
3. A Europa precisa que Hollande ganhe. É que, contrariamente ao que alguns apregoam entre nós, a “direita socialista” não é igual á outra direita e à extrema direita… (Traduzo: é uma estupidez agir como se o PS – apesar dos seus graves desvios de direita- fosse igual ao PSD e ao CDS…)
domingo, 22 de abril de 2012
IAC- INICIATIVA PARA UMA AUDITORIA CIDADÃ À DÍVIDA
Se ainda não sabe o que é a IAC, é bom que se informe! Aqui fica uma parte da sua "newsletter", com cujo conteúdo estou inteiramente de acordo.
"O Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária, discutido e aprovado na Assembleia da República nos dias 12 e 13 de Abril, pode parecer mais um ditado de credores do que um tratado; na realidade, a sua aplicação terá um impacte profundo na vida dos povos europeus.
Embora poucos portugueses o conheçam e tenha sido aprovado às escondidas — discutido num dia, aprovado no outro —, para quem o leu ou ouviu falar dele, é claro que:
— impõe limites para o défice público que são inatingíveis para a maior parte dos países subscritores;
— obriga a pagar a dívida pública em ritmos impossíveis;
— retira aos parlamentos nacionais a prerrogativa de definir a política orçamental do seu país;
— instaura, de forma permanente, a austeridade como único programa político no seio da União Europeia.
É um tratado intergovernamental, não da União Europeia, com uma clara influência do lobby financeiro em Bruxelas. No entanto, um país da UE que não o aprove é castigado com a impossibilidade de acesso aos empréstimos dos fundos da própria UE. Mais tarde ou mais cedo, este tratado acabará por ser revogado, por incumprimento generalizado, mas até lá tornará a austeridade mais dura e agressiva. Não é um tratado sobre estabilidade, coordenação e governação, mas um tratado sobre austeridade, desigualdade e destruição.
Por isso, a Iniciativa para uma Auditoria Cidadã apela à suspensão da aprovação do tratado, para que se abra o debate público e se respeite o direito constitucional à informação. Não aceitamos que decidam o futuro à nossa revelia. A voz dos cidadãos tem de ser ouvida."
13 de Abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
EM DEFESA DA …UGT!
O acordo assinado pela UGT com o governo e com o patronato, que está agora a ser traduzido em leis pela Assembleia da República, é um violentíssimo ataque aos trabalhadores. É lamentável que a UGT o tenha assinado. Apesar disso, acho que é de uma grave falta de lealdade (de dignidade e mesmo de bom senso) que o primeiro-ministro, num país estrangeiro, tenha dito que as “lamentações” da UGT quanto ao não cumprimento do acordo por parte do governo se devem à proximidade do 1º de maio –festa dos trabalhadores. O primeiro-ministro não tem o direito de ridicularizar, ainda por cima no estrangeiro, um dirigente político-sindical com quem acabou de fazer um acordo. E sobretudo não tem o direito de minimizar o 1º de maio. Em suma: fica bem claro que Passos Coelho não é de confiança; e que tem um “natural” ódio ao Dia do Trabalhador. Ao dia e aos trabalhadores, está claro! E se corrêssemos com o sujeito?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
NOVAS ESQUERDAS
Os artigos de Rui Tavares, regularmente insertos no diário “Público”, suscitam quase sempre interesse e reflexão. O de hoje (18 de abril) não é exceção. Glosando o que se está a passar na América latina, na França, Grécia e Itália, R.T. sustenta que está a emergir uma nova esquerda e conta com ela para a derrota do neoliberalismo que nos vai corroendo o estado social tão laboriosamente construído. Não deixo de lhe dar razão, desde que estas novas esquerdas não se façam com exclusão das esquerdas “velhas”. É indispensável que neste eventual e desejável processo de uma “nova esquerda”, em Portugal, o PS, o PCP e o BE façam parte da solução e não se constituam em problema quer por se autoexcluírem quer por serem excluídos. Vale a pena ler e refletir sobre o que Rui Tavares escreveu. Sobretudo, vale a pena acelerar o passo no objetivo por ele traçado.
terça-feira, 17 de abril de 2012
CARVALHO DA SILVA
Depois de com o seu excelente trabalho ter granjeado para a CGTP-IN uma forte credibilidade, sem por em causa a sua combatividade, Carvalho da Silva surge agora como coordenador em Lisboa do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Tive oportunidade de o ouvir ontem (16 de abril) no lançamento do Observatório da Crise que o CES resolveu, parece-me que em boa hora, criar. A sua intervenção foi bem clara: para agir eficazmente de modo a haver uma saída positiva para a crise em que alguns nos mergulharam é indispensável conhecer bem as suas causas e as suas raízes; é necessário desmontar as falsas razões que o poder inventa, tipo “vivemos todos acima das nossas possibilidades” ou “a culpa é dos salários altos que impedem a competitividade”, etc. Mas sobretudo é necessário (urgente?) que se procurem, discutam, equacionem as diferentes perspetivas de saídas (assim mesmo, no plural) para a crise. É indispensável que todos nós que apostamos numa saída da crise favorável aos trabalhadores e ao “estado social europeu” tenhamos a coragem de propor soluções que conjuguem os nossos esforços e as nossas apostas, independentemente das diferenças políticas existentes. O papel de Carvalho da Silva terá de ser cada vez mais importante na construção destas saídas.
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